Economia do Brasil: de Zumbi a Walking Dead

O jornal Financial Times publicou artigo com o título fazendo a referência acima, sobre a recuperação econômica do Brasil.

A OCDE divulgou números mostrando que a economia do país cresceu 1 por cento no ano passado, seu primeiro ano de expansão desde 2014. Mas antes de comemorar o renascimento do zumbi econômico para a economia de alto crescimento, vale a pena analisar algumas das distorções ilustradas na pesquisa. Eles sugerem o mal-estar profundo que ainda está no coração da economia brasileira.

A primeira mostra é a quantidade de pagamentos para bens e serviços de consumo, um fator que aumenta a desigualdade e os custos na economia. Por exemplo, um humilde Toyota Corolla no Brasil, que produz o veículo, custa mais de US $ 45.000. No México, que também produz Corollas, eles custam apenas US $ 30.000, e nos EUA, eles custam US $ 20.000. Outras distorções de preços brasileiras incluem serviços de celular, que no Brasil são quase duas vezes mais caros por minuto que as da Argentina e oito vezes as taxas dos EUA.

A lista continua. As indústrias no Brasil gastam uma média de quase 2.000 horas por ano para pagar seus impostos em comparação com 800 para a Venezuela e menos de 200 para os EUA. O Brasil tem as tarifas de importação  mais altas dos países listados no relatório,  o dobro do nível da China e quatro vezes a dos EUA.

O Brasil não ganhou novos mercados para suas exportações nos últimos anos. Em termos de importações e exportações em percentagem do produto interno bruto, o Brasil é o país menos aberto na lista da OCDE, menos do que a Argentina.

Do lado fiscal, o orçamento do Brasil é um estudo sobre como não desenvolver um país. Em 2016, gastou 16 por cento do seu orçamento em pagamentos de juros sobre dívida pública, que é detida por investidores, empresas e poupadores da classe média alta. Isso foi mais do que na educação (12 por cento) e na saúde (12 por cento). Na verdade, os pagamentos de juros foram o segundo maior gasto no orçamento, batido apenas por benefícios sociais (35 por cento), que eram principalmente de aposentadorias. Dado que o sistema de previdência do Brasil é um dos mais injustos do mundo, beneficiando empregados públicos desproporcionalmente com valores maiores e que podem se aposentar por volta dos cinquenta anos, o orçamento brasileiro beneficia ativamente os ricos sobre os pobres e não deixa dinheiro para o investimento.

 

O relatório da OCDE previu que o crescimento do PIB no Brasil aumentaria para 2,2 por cento este ano e 2,4 por cento em 2019. Esta é uma recuperação dos mortos para uma economia emergindo de sua pior recessão na história e procurando pelo menos retornar ao seu tamanho anterior. O Brasil empreendeu algumas reformas, diz Jens Arnold, um dos autores do relatório. Isso inclui a redução do subsídio implícito em empréstimos do banco de desenvolvimento BNDES. Se o Brasil quiser redescobrir seu espírito animal, o próximo governo terá que se tornar um campeão para desencorajar mais as terríveis distorções da economia, começando pelas aposentadorias.

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